Diogo Arrais, professor do Damásio Educacional, fala sobre as regras dos hiatos usando um tema atual para os paulistas: a crise hídrica

Editado por Claudia Gasparini, de Exame.com

reuso
A questão hídrica, em São Paulo, tem sido muito presente nos noticiários. Com isso, a expressão “uso consciente da água” é lema de várias campanhas ambientais.
No entanto, hoje, já se fala em “reúso” da água. De maneira surpreendente, esta última palavra não é registrada em nossos dicionários ou em nosso Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. É realmente acentuado graficamente o termo?
Certamente, você se lembra da regra dos famosos hiatos de “i” e “u”, não? Que tal uma breve revisão?
De acordo com as nossas regras ortográficas, os hiatos formados por “i” e “u”, tônicos, acompanhados ou não de “s”, devem vir com o acento agudo. Alguns são os exemplos mais comuns: “saída, saúde, faísca, aí, país, Piauí etc.”
Caso “i” ou “u” formem ditongos (encontro da vogal e semivogal), nada de acento nas citadas vogais, como em “coisa, Neusa, tesoura” .
Voltemos ao caso de “reúso” e façamos a divisão silábica: RE-Ú-SO. Destaquemos, aqui, a vogal “u”, formando hiato (isolada) e tônica. Conclusão: o acento gráfico deve existir sim.
Rapidamente, ao ouvir o polêmico termo deste texto, pelo rádio, pensei em um didático exemplo. Pronuncie a frase abaixo, em voz alta:
“Dona NEUSA pede, ao Governo, o REÚSO da água.”
Ah! Quanto a um possível hífen? A Academia Brasileira de Letras, seguindo a tradição da Língua, manteve o prefixo “re” sem hífen, mesmo quando seguido de “e” ou “h”: “reedição, reedificar, reeleição, reescrita, reidratar”.
Seguindo a linha da sustentabilidade ambiental e ortográfica, divulguemos a importância do REÚSO da água.

Por: Eniac

Publicado em: 9 de outubro de 2014

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