Qual seria a formação do professor do futuro?

Segundo o renomado pesquisador Philippe Perrenoud, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Genebra, Suíça, não se pode formar professores sem fazer escolhas ideológicas de acordo com o modelo de sociedade e de ser humano que defendemos. Ele entende que, diante dessas escolhas, vamos atribuir as mesmas finalidades à escola e, conseqüentemente, para o papel dos professores.

“Mesmo em uma sociedade de globalização, a educação não é unificada”, salientou. A grande questão, segundo Perrenoud, é se esse processo de escolha vai ser feito de forma democrática ou à serviço da reprodução das desigualdades. “Essa questão não foi resolvida em parte alguma, nem na Suíça, nem no Brasil. nem em qualquer país."

É possível identificar uma tensão entre as finalidades ideais e as designadas à escola, que nem sempre são as mesmas. “Não podemos sonhar demais, mas pelo menos é possível ver se a escola está evoluindo no sentido dessas idéias mais generosas de Morin, observando que tipo de professor devemos formar para esse tipo de escola, porque esta é a única que me interessa”, ressaltou o professor.

Perrenoud deixou claro que não lhe interessa professores que apenas servem para reproduzir as desigualdades. O que interessa para ele é formar professores para democratizar a cultura e criar indivíduos autônomos em sociedades democráticas. Para tanto, propôs algumas qualidades esperadas no educador do futuro: deve ser uma pessoa confiável e coerente, com quem o aluno possa conversar e que tenha prazer em falar com os jovens. É preciso também ser um mediador entre as culturas e um estimulador de uma comunidade educativa. Além disso, espera-se que esse professor respeite regras mínimas, representando uma garantia da lei. É preciso, sem ignorar as outras qualidades, respeitar a palavra do outro e trabalhar para organizar uma vida democrática a partir da escola, onde aprendemos a tomar decisões conjuntas. Espera-se também que o profissional da educação seja capaz de transmitir a cultura sem ser entediante, fazendo as pessoas se sentirem como parte de uma comunidade que tem história. E por último, o educador deve ser um intelectual, ou seja, um indivíduo que tenha uma relação com o saber e com o debate. “Não deve ser um burocrata da cultura; tem que refletir e expor questões que podem mudar a vida; muitos já têm essas qualidades, mas deve isso à família, à profissão, à formação.”

O professor deve ser um engenheiro de situações de aprendizagem; deve administrar uma heterogeneidade crescente de origens sociais, de níveis escolares diferentes; deve ser capaz de gerir percursos de formação individualizados. Essas competências são raras hoje em dia, e o futuro profissional que conseguir reuni-las certamente terá destaque como um educador do futuro.

Prof. Philippe Perrenoud

Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Genebra - Suíça

Ana Bondioli

Por: Ana Bondioli

Publicado em: 29 de maio de 2018

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