Matéria publicada por Camila Pati – Revista Exame

Diretor geral da consultoria Talenses indica roteiro de perguntas para fazer na entrevista e ter a dimensão certa do desafio que está por vir na carreira

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Pessoas encaram desafio: sentir-se desafiado é o que faz a maioria dos profissionais entrevistados permanecer em uma empresa

São Paulo – O salário mais alto pode até levá-lo a deixar seu emprego atual, mas é o desafio que vai fazer com que você, de fato, fique na empresa.

Pesquisa realizada com 620 executivos no estado de São Paulo, pela consultoria Talenses, traz números que comprovam este movimento. O pacote de remuneração é o que atrai 89% dos entrevistados a mudar de emprego.

Mas, sentir-se desafiado foi a resposta de 70% dos executivos empregados sobre o motivo da permanência em determinada empresa. Dentre os desempregados, 68% também seguiram nesta linha.

“Salário, perspectiva de crescimento são importantes, assim como o clima no ambiente de trabalho, no entanto, claramente é o desafio o que mais atrai o profissional, como um todo”, diz Luiz Valente, diretor geral da Talenses.

E se o salário é mais exato, apresentado em cifras, o desafio pode parecer nebuloso em um primeiro momento da entrevista de emprego. Afinal, é a rotina de trabalho que vai trazer os tão esperados estímulos e obstáculos de que o profissional precisa para evoluir na carreira.

Pensando nisso, EXAME.com pediu ao diretor da Talenses, um roteiro de perguntas que ajudam qualquer profissional a ter dimensão do que está por vir na nova empresa. “É um tema que deve ser bem explorado, um dos pontos fundamentais da entrevista”, diz Valente.

 

Confira as perguntas que ele indica para fazer ao recrutador:

 

1. Como será o meu dia a dia na empresa?

Aqui, o ponto fundamental é captar a rotina de trabalho. Reuniões, deslocamentos, horário de trabalho, viagens são aspectos trazidos à tona neste momento da entrevista.

 

2. Quais as entregas que tenho que fazer? O que a empresa espera de mim?

Entender “qual o seu produto final” é o próximo passo, indica Luiz Valente. Qual é a expectativa dos gestores em relação às entregas e quais as metas definidas para a sua cadeira?

 

3. Em função do atual momento da empresa e também do setor, qual a estratégia adotada pela gestão?

Uma pesquisa prévia vai dar o tom do momento pelo qual a empresa está passando. “O candidato tem que já ter estudado um pouco. O recrutador vai ver que ele fez a tarefa de casa e se aprofundou na empresa”, diz Valente.

Mas, preste atenção. Não é momento de entrar em conflito, caso as respostas do recrutador não “batam” com a pesquisa sobre o momento da empresa.

“Às vezes, o entrevistador tem restrição de informação. Não entre em embate sobre pontos de vista diferentes”, afirma o especialista.

 

4. Dentro da cultura da empresa, até onde vai a minha autonomia?

Sobretudo em cargos executivos, a autonomia é outro aspecto fundamental para quem quer entender qual o seu desafio. “Se é uma empresa familiar, a tendência é de poder de decisão mais centralizado, por isso, é importante saber quais os seus limites”, diz Valente.

Para empresas de capital aberto, multinacionais, vale entender mais se os estilos de governança e cultura propõem mais autonomia, segundo o diretor da Talenses.

 

5. Qual o estilo de trabalho do meu gestor?

Conhecer um pouco mais sobre o futuro chefe também é altamente recomendável, diz Valente. Em muitos casos, ele participa do processo de seleção. Nesse caso, é interessante demonstrar interesse e perguntar diretamente sobre seu estilo de trabalho e sobre sua carreira.

 

6. Quais as principais dificuldades enfrentadas pelo profissional que ocupava a vaga?

Nesse ponto, muito do desafio da nova função será revelado. A resposta pode trazer as razões da saída do profissional, caso seja uma posição de substituição, lembra Valente.

“É uma pergunta em que é possível checar se a resposta bate com o que o entrevistador disse que a empresa espera em relação às entregas”, diz o diretor da Talenses.

 

7. Qual o desafio em relação à equipe?

No caso do executivo que vai ter uma equipe sob sua batuta, é importante explorar quais as atitudes esperadas na gestão dos profissionais. “É parar fazer a equipe crescer ou para promover oxigenação, fazendo substituições?”, diz Valente.

 

8. Quais os planos da empresa para os próximos 5 ou 10 anos?

O seu foco não deve estar apenas direcionado ao curto prazo. Compreender os planos traçados para a próxima década vai dar a dimensão e os contornos do seu desafio de carreira naquela companhia.

 

9. Quais os caminhos possíveis para mim, aqui dentro?

A questão da perspectiva de crescimento é fator essencial para a permanência dos profissionais. Quais os próximos passos dentro do organograma, em um cenário de superação das expectativas em relação ao seu trabalho?

“Importante fazer este tipo de pergunta para entender se ele já não chega ao ponto máximo da ascensão, ou seja, para ver se não está batendo no teto”, diz Valente.

 

Fonte: exame.com

Por: Eniac

Publicado em: 5 de Fevereiro de 2014

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