(Algumas reflexões a respeito do “Dia das Mães”)

A resposta agressiva e ressentida veio de uma criança ao ser repreendida pelo pai, quando fez uma malcriação para a mãe.

Essa historinha ficou fazendo parte, como uma anedota, da família de um amigo muito próximo, sendo recontada a cada reunião onde eram rememoradas aquelas respostas que só as crianças conseguem num bate-pronto rebater um adulto.

Essa lembrança vem bem a calhar, neste momento em que somos bombardeados pela mídia, com todo apelo comercial que acompanha a data da comemoração do ‘dia das mães’.

É uma data controvertida, convenhamos: há os que argumentam que é só marketing para aumentar vendas do comércio, existem os defensores atarefados saindo em busca de um presente, e também os que alegam que todos os dias são delas ( e por isso necas de algum mimo). E por aí vamos…

Num outro extremo, existem até movimentos que pedem para diminuir ou parar toda essa festividade, principalmente nas escolas, creches, orfanatos e outras instituições, por causar certo constrangimento nas crianças que não tem mães presentes. São muitas as crianças, criadas às vezes  por avós, pais, ou parentes, que tornam-se os responsáveis por sua educação. A mãe verdadeira, seja qual for o motivo, está ausente.

O dia das mães também é polêmico em nossos dias, quando o conceito de família passa por tantas mudanças: muitas mulheres assumem que não querem ter filhos, mesmo após um casamento estável, outras encarregam-se da criação das próprias crianças, no que se declaram como realizadas em ‘uma produção independente’ ou adotando filhos, casais separam-se e muitas vezes casam-se novamente ( surgindo a figura, já bem conhecida até nos contos infantis, da madrasta). Há também, casais homossexuais, de homens e de mulheres, que adotam crianças formando novos lares…sem contar as dores e conturbações da troca de crianças em maternidades, mais recentemente.

Enfim, em todos esses casos o papel da mãe tradicional mudou bastante. Hoje se discute, inclusive, a existência do sentimento ligado à vocação maternal.  Existe esse sentimento de ‘maternidade’ ou ele é produto da cultura? Homens são dotados desse afeto maternal??

Neste espaço não cabe aprofundar todas as conotações psicológicas dessas interações, mas tão somente observar que a presença da mãe do ponto de vista da criança é muito significativa. É uma figura simbólica muito forte, com inúmeros significados. A imagem da mãe faz parte de todos os povos e culturas, mesmo que neles seu papel seja diferente.

E mãe, realmente, só existe uma! Não importa se a relação seja próxima, distante, amorosa, conturbada…desde nosso nascimento e por toda nossa vida a imagem materna nos acompanhará. Nossa auto-estima está diretamente ligada a essa representação!!

O que vale ressaltar aqui é antes uma reflexão a respeito dessa imagem. A lembrança desta data é o momento para renovar seu significado, e para atribuirmos, com nossa imaginação, generosidade e criatividade, os valores mais elevados à figura materna.

Re-significar é uma possibilidade que só o ser humano tem. E isso, ninguém pode fazer por nós!

Assim, ainda bem que mãe existe, e que seja só uma

Feliz Dia das Mães para vocês!!!

 

Foto: Janete Tinte

Por: Miriam Barcellos

Publicado em: 10 de Maio de 2018

Categorias: Aprendizagem Ativa, Educação, Faculdade, Institucional.