Quando o Atari chegou ao Brasil, no início dos anos 80, trouxe consigo paradigmas dos mais variados – desde terrorismos eletrônicos que diziam que sua utilização traria danos irreversíveis ao televisor até informações enganosas de saúde, afirmando que o movimento e brilho dos jogos poderia causar problemas sérios de visão e até cegueira. Passaram-se quarenta anos e televisores podem ter quebrado, pessoas terem desenvolvido problemas de visão mas, pouco se sabe se videogames, de fato, tiveram alguma influência nisso. O que se pode afirmar, com certeza, é a influência que os jogos eletrônicos têm na cultura pop, tornando-se atualmente a indústria de entretenimento que mais fatura (passando, inclusive, a cinematográfica).

O crescimento do mercado de jogos se deu, entre outros fatores, ao aumento da clientela de jogadores casuais. Incluem-se nesse nicho o público mais adulto, que possui menos tempo para jogar e, especialmente, o público feminino que, de acordo com pesquisas em 2017, atingiu 52,6% dos jogadores do Brasil, número extremamente maior do que há algumas décadas, onde os videogames eram mais utilizados pelo público masculino . Isso aconteceu, muito em parte, por conta dos jogos para celulares, que popularizaram games como Candy Crush, Angry Birds e outros do gênero.

Obviamente, se há clientes, há oportunidades de negócio. No Brasil, em apenas oito anos, houve um crescimento de 600% no número de empresas desenvolvedoras de jogos. Hoje, são mais de 65 milhões de jogadores no país, que movimentaram, em 2017, 1,3 bilhões de dólares com jogos para consoles, PCs e celulares. Em um mercado como esse, as oportunidades podem surgir àqueles que desejam transformar um hobby em profissão.

Nunca se estudou tanto sobre jogos digitais no país, bem como nunca se viu uma profissão tão comum entre jovens que procuram se tornar empreendedores em um ramo de entretenimento, educação e marketing digital que o mercado de jogos proporciona. Startups aparecem quase diariamente e o número de produtos que estão entrando no mercado aumenta a cada dia (inclusive para plataformas mais conhecidas, como XBOX, Playstation e Steam, além das lojas de apps). Muitos dos jovens que iniciam suas carreiras neste setor se espelham em exemplos como do vietnamita Dong Nguyen, criador de  um jogo simples – Flappy Bird – que viralizou muito rápido por conta de sua alta dificuldade. Estima-se que, nos dias áureos em que o jogo esteve disponível para download, ele estava ganhando 50 mil dólares por dia com anúncios. Uma curiosidade: o jogo foi feito em três dias. Outro exemplo bilionário do mundo dos jogos indies é o Minecraft. Seu criador, Markus Persson, um programador independente, provavelmente nunca iria imaginar que seu game com bloquinhos de montar pudesse lhe dar a fama, dinheiro e sucesso que tem hoje. Em 2015, após milhares de cópias vendidas, Markus vendeu a franquia Minecraft para a Microsoft por “apenas” 2,5 bilhões de dólares. Nada mal para o segundo jogo que ele havia criado na vida.

Porém, mesmo com exemplos de sucesso, obviamente nem tudo são flores no mercado de jogos. Empresas que criam aplicativos possuem prazo, orçamento e gastos, afinal o jogo é um produto como qualquer outro. Por isso, quem escolhe ser desenvolvedor deve saber que na verdade não existe um abismo entre ser desenvolvedor e jogador, mas sim que são coisas completamente antagônicas. Todo desenvolvedor de jogos pode ser um gamer, mas nem todo gamer pode ser um desenvolvedor. Criar e desenvolver um jogo exige dedicação, estudo, paciência e disciplina. Are You ready for the next level?

Os processos de gamificação (utilização de jogos para educação, simulação e treinamento) também abriram portas para os que desejam desenvolver jogos como profissão. Neste campo, também podemos citar os advergames – jogos desenvolvidos para publicidade – que são específicos para a divulgação de empresas, produtos ou serviços. No segmento de gamificação, o desenvolvedor tem a chance de conseguir recursos para financiar e manter seu empreendimento. Pode trabalhar home office ou em espaço coworking, sozinho ou com uma equipe reduzida: as possibilidades são muitas. Oferecer um game ou aplicativo de treinamento é um dos trabalhos que mais cresce no ramo de jogos no país e é, para muitos desenvolvedores, a porta de entrada para o mercado.

O ENIAC possui curso de graduação tecnológica em Jogos Digitais, onde o aluno aprende desde empreendedorismo (preparando-o para montar sua própria empresa) até a criação de jogos para diversas plataformas, passando por várias unidades curriculares específicas (criação de personagens, modelagem, animação, programação, estratégias de gamificação, edição de som, entre outras).

Assim como o Atari quebrou paradigmas há quarenta anos, os desenvolvedores de jogos  mostraram que essa profissão veio para ficar. Se você se encaixa neste grupo de gente criativa que gosta de games e quer encarar os desafios de montar os seus, estude Jogos Digitais. Quem sabe você não cria um sucesso como Minecraft?

Marcos Carfora

Por: Marcos Carfora

Publicado em: 16 de maio de 2018

Categorias: Empregabilidade, Ensino médio tecnico, Faculdade, Inovação, Mês do Trabalho.