SER OU NÃO SER? EU SOU!

“É que eu sou de humanas”. Essa é a nova desculpa oficial de pessoas que têm dificuldades nas matérias de exatas como matemática e física. Escuto essa frase todos os dias no colégio, sem exceção. Todos os dias.
Lembro que um dia eu estava conversando com algumas alunas e uma delas usou essa justificativa para ter ido mal em uma prova de matemática então eu aproveitei a deixa e perguntei: “Qual é sua nota média nas provas de história, por exemplo?”. Para a minha surpresa a resposta foi algo do tipo: “Acho que 6”.  Confesso que esse foi um momento de muita confusão para mim.

Quando você tem a coragem o suficiente para falar que é alguma coisa automaticamente você está assumindo a responsabilidade sobre este algo. Se você assume “ser de humanas” você assume que domina o assunto ou então se dedica fortemente para atingir este domínio. Uma nota 6 em uma prova de uma matéria que você domina parece contraditório, mesmo eu não acreditando totalmente que uma prova é capaz de avaliar alguém completamente (ainda vou publicar um texto sobre isso).

Eu penso que o problema não está em ser de humanas ou ser de exatas. O problema está em ser. Na famosa peça “A tragédia de Hamlet, o Rei da Dinamarca” de William Shakespeare, o personagem Hamlet diz a famosa frase: “Ser ou não ser: eis questão”. Obviamente você já escutou essa frase, mas você já procurou tentar entendê-la? Com certeza isso é uma tarefa muito complicada e bem estudada por filósofos, mas vamos tentar aplicar uma interpretação para ela no contexto deste artigo. Quando assumimos ser algo, implicitamente nós cremos em algum princípio que devemos seguir para que possamos, de fato, ser. Eu sei que isso é confuso, mas pense um pouco sobre esta última frase. Por exemplo, se eu penso que “sou” de humanas e vou mal em uma prova de humanas, então eu não sou bom em humanas. Estranho, né?

Obviamente, e não estou ignorando que existam pessoas que tenham muitas dificuldades com matemática ou outras que tenham muitas dificuldades em história. O que quero dizer é que, mesmo que você tenha dificuldades você não deve deixá-las de lado, mesmo tendo a preferência por uma determinada área do conhecimento.

Nós não precisamos ser algo tão específico, precisamos entender o mundo que nos cerca. Precisamos deixar de ser tão de humanas para passar a ser um pouco mais de tudo. Nós não precisamos assumir tanta responsabilidade. Precisamos apenas tentar ver a beleza de todos os assuntos e, com isso, enxergar que tudo que ensinado na escola tem uma importância para a sua vida, independente de suas afinidades ou preferências.

PROF. VINICIO BOSCATTO

Por: Caique Oliveira

Publicado em: 14 de agosto de 2017

Categorias: Colégio, Ensino Médio
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