Visita a Saunalahti School marca o final de nossa 'Academic Adventure' na Finlândia

Já que estava na Finlândia, porque não conhecer a famosa Saunalahti School, conhecida por sua infraestrutura e currículo inovadores?  O prédio - projetado por Verstas Architects - é magnífico. Seu projeto arquitetônico integra segurança, flexibilidade e diversas outras necessidades pedagógicas.

A escola pública de Educação Fundamental começou a funcionar no 2º semestre de 2012 e já conta com aproximados 1000 alunos, divididos entre as turmas do 1º ao 8 º ano. O 9 º e último ano será formado, pela primeira vez, em 2018. Seus princípios básicos incluem aprendizado centrado no estudante, integridade, honestidade, diversidade, equalidade, sustentabilidade e, sobretudo, senso de comunidade.

Na Saunalahti School a aprendizagem de cada estudante é cuidadosamente tratada de forma única. Antes da entrada no 1’ ano, o professor da Saunalahti entrevista tanto aluno como seus pais ou responsáveis e, juntos, escrevem um plano de aprendizagem pessoal (em inglês, personal learning plan). Esse plano considera habilidades, necessidades e interesses de cada estudante e é periodicamente analisado e alterado (quando e se necessário) por meio de outras entrevistas e dos objetivos de aprendizado alcançados. A vice-diretora que nos recebeu, Minna Welin, explicou que esse modelo tem por objetivo fazer com que cada criança alcance, por si só, o melhor de si, como também, o seu lugar no mundo.

Minna Welin explicou, ainda, que conteúdos (em inglês, appointments) existem e que são tratados como lições (em inglês, lessons). As lições são realizadas por meio de atividades práticas que permitem às crianças aprender e fazer com suas próprias mãos (learning by doing hands ands on materials). Essas atividades envolvem literatura, drama, arte, música, dança, trabalhos manuais e educação física. Diferentemente do Brasil, na Saunalanhti School cada estudante segue com um único professor até o 6º ano. É somente a partir do 7º ano que o estudante passa a ter mais de um professor. É também a partir desse período que disciplinas como Física, Química e Biologia passam a ser oferecidas.

Depois da esclarecedora conversa com Minna, fomos fazer um tour pela escola e quem nos acompanhou foi Sarah, uma doce estudante espanhola do último ano do Curso de Pedagogia e que cursava seu estágio na Saunalahti, bem longe de sua casa, não é mesmo?

Durante o tour, presenciamos salas de aula equipadas com mobiliário flexível - mesas, cadeiras, alguns pufs e sofás. Os professores, em toda sala que entrei, estavam com um pequeno grupo de estudantes, aparentemente, explicando alguma cosa. Enquanto isso, os demais estudantes, sempre em pequenos grupos, trabalham juntos, ajudavam uns aos outros e conversavam em tom naturalmente baixo. Todos faziam alguma coisa e, à medida que eu conhecia as salas dos anos mais avançados eu percebia que os alunos desenvolviam atividades diferentes dentro da mesma sala.

Observei que um estudante do 3º ou 4º ano utilizava fones de ouvido dentro da sala de aula. Ao questionar, Sarah me explicou que aquele estudante, naquele momento, provavelmente, havia percebido que precisava de completo silêncio e de estar consigo mesmo para construir seu aprendizado. Foi aí que vi uma mesa com vários fones de ouvido disponíveis.

Continuamos o tour e fomos conhecer os espaços laboratoriais. Observei Laboratórios muito bem equipados, com maior ênfase em aparatos mecânicos que puramente eletrônicos. Outros, por sua vez, diferentes do que estamos acostumados: com mobiliários e utensílios de cozinhas; máquinas de costura e de tear; instrumentos musicais diversos e, por último, um grande espaço interno para educação física.

Além de Minna e Sarah, conhecemos três estudantes do 6º ano que foram conversar conosco (confesso ... os nomes eram bem diferentes e não consegui entender). Eles traziam em suas mãos uma folha de caderno com uma pequena redação escrita em inglês. Cada pequena redação trazia em seu bojo como era, para cada um deles, estudar na Saunalahti School. O que mais chamou minha atenção foi a constatação do senso de comunidade que esteve presente em cada redação. Uma concepção que, para mim, explica a questão da Aprendizagem Baseada em Equipes (em inglês, Team Based Learning).

De volta com Minna, ela nos perguntou o que achamos de sua escola. Nossa! Um sonho. E foi aí que Minna nos disse que o sonho daqueles que fazem parte da Saunalahti School é que cada estudante aprenda por ele mesmo, que reconheça suas potencialidades e fraquezas, que possa alcançar seu melhor aprendizado e continuar a aprender quando deixar a Saunalahti. Além disso, que reconheça a si mesmo parte de sua comunidade, que aprenda a ter amor e cuidar dos outros e que encontre seu lugar no mundo.

Estou certa de que o sonho dos educadores que estão na Saunalahti School é o mesmo para todos os que fazem parte de nosso Colégio Eniac.

Aqui, encerro minha missão internacional na Finlândia. Levo comigo muito aprendizado e, sobretudo, inspiração para fazer acontecer junto com todos vocês.

(Ops! As fotos são poucas pois, por motivo de segurança, não podemos fotografar próximo às crianças).

Por: Simone Vianna

Publicado em: 19 de novembro de 2017

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